Uma conversa na tarde de ontem me encheu os olhos de
lágrimas.
Meu avô, senhor Lindomar Tavares, torcedor do Santos, amigo
do senhor Dondinho, pai de Pelé, e da grande maioria dos jogadores que fizeram parte
do maior time que a Terra já viu, contou-me que conheceu Gilmar aos 16 anos de idade, na
Vila Aide, um pequeno bairro localizado entre os canais 5 e 6, na cidade de
Santos.
Caverinha, como era conhecido meu avô devido ao seu “avantajado”
porte físico, contou-me que o arqueiro era um piadista nato e assim como fazia
com os chutes dos adversários, agarrava a atenção de todos que estavam à sua
volta.
Gilmar dispensava apresentações. Quem gosta de futebol e
história sabe que ele jogou no Corinthians, o gigante da década de 50, que inclusive originou
o apelido de Timão, nos anos 60 foi o arqueiro do Santos de Pelé e companhia, e
ainda foi bicampeão mundial com a Seleção Brasileira em 58 e 62.
A Seleção do Céu ganhou mais do que um goleiro como reforço,
ganhou o maior de todos que atuaram com as mãos.
Léo, falador pós-jogo, pipocou para a diretoria do Santos e ficou pianinho na entrevista coletiva solicitada, segundo o mesmo, por ele (ah tá...). O lateral do Peixe reclamou bastante após o empate por 0 a 0, na Vila, contra o São Paulo, pelas condições do time santista, a novela envolvendo Paulo Henrique Ganso e a saída de Elano.
Eu confesso que havia ficado muito feliz por ver que um jogador de futebol falou algo de verdade, sem pensar na repercusão da declaração, de muita atitude, pois, normalmente, eles só falam em "ganhar os 3 pontos", "fazer o que o professor mandou", "estamos motivados para conseguir a vitória" e blá blá blá de sempre. Não deu nem pra comemorar e o lateral tomou uma bola nas costas e pediu desculpas pelas palavras e finalizou dizendo que no futebol não se pode falar o que pensa...
Léo, na boa, pode sim, basta querer.
Sentimentos opostos
Com a inacreditável conquista da Copa Kia do Brasil de forma invícta (inacreditável até mesmo para o mais otimista do palmeirense), o Palmeiras vive uma situação totalmente oposta e corre sérios riscos de disputar a Libertadores e a Série B do Campeonato Brasileiro 2013. No próximo final de semana será mandante no clássico contra o Corinthians, e um Pacaembú lotado será palco de 90 minutos de angústia, pois, se o Alviverde não vencer, a toalha estará encostada no corner esperando o nocaute do gigante da zona oeste de São Paulo.
Eu, corintiano, sinceramente, não gostaria que o Palmeiras caísse. Sério. É ruim para o futebol paulista, para o futebol brasileiro e para o futebol sulamericano, já que o Palestra será um dos representantes brasileiros da próxima edição da Libertadores. Para argumentar com algo que não tem sentimentos, os números, caso o Palmeiras seja mesmo rebaixado, poderemos ter 5 times paulistas em queda para divisões inferiores. Palmeiras da A para B, Guaratinguetá, Bragantino e Barueri da B para C, e o Santo André da C para D.
É algo inimaginável para o torcedor palmeirense conviver com sentimentos opostos: a conquista de um grande título, mais o direito de disputa de uma competição internacional, e assistir aos jogos de terça e sábado pela segunda divisão.
Vitória Ching Ling
O Brasil espancou a "seleção" chinesa por 8 a 0. Neymar fez 3, o time atropelou, tudo muito bom, tudo muito bem, mas é nítido que a Seleção ainda tem algumas indefinições na equipe e, mesmo quase 3 anos à frente do Brasil, Mano Menezes vai acumulando críticas sobre seu trabalho.
Comemorar uma goleada sobre a fraca China é sacanagem.